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sábado, agosto 15

Feios bonitos

Se você não é nenhuma Gisele Bündchen, não há motivo para se desesperar em frente ao espelho. Quem dera ser uma deusa, mas não sendo, há chance de ser incluída no time das interessantes. Junte nove lindas e uma mulher interessante e será ela quem vai se destacar entre as representantes do marasmo estético. Perfeição, você sabe, entedia.

Mulher interessante é aquela que não nasceu com tudo no lugar, a não ser a cabeça - e, às vezes, nem isso, pois as malucas também têm um charme diabólico. A mulher interessante não é propriamente bonita, mas tem personalidade, tem postura, tem um enigma no fundo dos olhos, uma malícia que inquieta a todos quando sorri - e um nariz diferente. São também conhecidas como feias bonitas.

Eu poderia citar um batalhão de feias bonitas que, aqui no Brasil, são públicas e notórias, mas vá que elas não considerem isso um elogio. Então vou dar um exemplo clássico que vive a quilômetros de distância: Sarah Jessica Parker. É uma feia lindona. Uma feia classuda. Uma feia surpreendente. Adoro este tipo de visual. Mulheres com rostos difíceis de classificar, que não se enquadram em nenhum padrão.

Quando Meryl Streep estreou como coadjuvante em Manhattan, filme de Woody Allen, chamou a atenção não só pelo talento, mas pelo seu ar blasé, seu porte altivo e uma sobrancelha que arqueava interrogativamente, como se perguntasse: e aí, você já decidiu se lhe agrado ou não? Paralisante.

Esse gênero de mulher não figura nos anúncios da Lancôme e não possui um rosto desenhado com fita métrica: olhos, boca e nariz a uma distância equilibrada um dos outros. Nada disso. A feia bonita é aquela que não causa uma excelente impressão à primeira vista. Ao contrário, causa estranhamento. As pessoas se questionam. O que é que essa mulher tem? Ela tem algo. Pronome indefinido: algo.

Ficar bonitinha, muitas conseguem, mas ter algo é para poucas. Não dá para encomendar num consultório de cirurgia plástica. Não adianta musculação, dieta, hidratantes. Feias bonitas têm a boca larga demais. Ou um leve estrabismo. Ou um nariz adunco. Ou seja, este algo que elas têm é algo errado. Mas que funciona escandalosamente bem.

E há aquelas que não têm nada de errado, mas também nada de relevante. Um zero a zero completo, e ainda assim se destacam. Um exemplo? Aquela menina que atuou em Homem-Aranha e Maria Antonieta, a Kirsten Dunst. Jamais será uma Pfeiffer, mas a menina tem algo. Quem dera esse algo fosse vendido em frascos nos freeshops da vida.

Se o fato de ser uma feia bonita é, digamos, uma ótima compensação, ser um feio bonito é o prêmio máximo. Não sei se você concorda, mas eles são mais atraentes que os bonitos bonitos. Não que seja tolerável um narigão num homem: ele tem que ter um! Nada de baby face. É obrigatório uma cicatriz, ou um queixo pronunciado, um olhar caído. Você está lembrando de um monte de cafajestes, eu sei. Ou de um monte de italianos. É esse tipo mesmo, você pegou o espírito da coisa.

Feias bonitas e feios bonitos tornam a vida mais generosa, democrática, divertida e interessante. Não podemos ter tudo, mas algo se pode ter.
Martha Medeiros

segunda-feira, março 16

Sintomas de Paixão

Olhei nos olhos dele, parei, congelei. Minhas pernas bambas pareciam ter criado raízes no chão, minha língua parecia ter colado no céu da boca. Meus olhos não viam mais nada do que aquele que considerava um deus grego. Meu cérebro só repetia seu nome e eu já nem conseguia mais pensar em nada.
Ele olhou sorriu, sorriu meio sem graça e chegou perto. Sorriu e aquele sorriso fez seus olhos brilharem mais do que o brilho que já havia me chamado atenção. Ah, que sorriso encantador... Ah, que olhos matadores... Tinha sem perceber, um grande charme, e havia me hipnotizado sem saber. Perguntou meu nome e eu timidamente respondi. Tive a impressão de que minha voz não ia sair, mas mesmo enfraquecida, emitiu um som reconhecível.
Ele disse seu nome também, mas eu já sabia fazia tempo, por causa do tanto que seguia-o, tomava conta da sua vida. Só não conseguia ler seus pensamentos... Será que gostava de mim? Será que me achava bonita? Como se lesse meus pensamentos, soltou um: "Já te contaram que você é linda". Não acho que tenha per
manecido consiente. Não consegui me concentrar em mais nada. Minha cabeça foi a mil. Acho que são sintomas de paixão.

terça-feira, dezembro 16

Você tem um isqueiro?

A garota passava na rua com o baseado apagado. Perguntava a quem passava, com as palvras emboladas saindo dos lábios ressecados, se tinha algum isqueiro. A maioria não respondia, alguns diziam que não. A garota ria espafalhatosamente cada vez que era ignorada ou negada.
Chegou em casa tarde da noite. Sua mãe foi dá-la uma bronca. Passou minutos falando e a garota não escutou uma palavra da qual a mãe falava. Começou a chorar sem motivo aparente. A mãe abandonou o quarto da garota, desistindo da desatenção da filha, sem imaginar o que estava por trás de tudo aquilo.
Passaram-se dias, e semanas e poucos meses, sem que a família desatenta percebesse nenhuma alteração no comportamento e na saúde da garota, sem contar com alguma tosse freqüente, escarros com sangue, grande mal-estar e perda de apetite. Aos poucos a mãe começou a preocupar-se com os sintomas e levou-a em um médico.
A garota fez uma bateria de exames. O resultado demoraria algumas semanas para sair. Cada vez seu estado piorava.
No dia em que sua mãe foi buscar seus exames, a garota estava péssima. Mal conseguia respirar, deitada em sua cama.
A mãe levou os exames para o médico analisá-los. Ficou perplexa com o resultado.
Chegou em casa aterrorizada e foi conversar com a filha, que, deitada em sua cama, respirava mal. A mãe fez perguntas não respondidas a filha, preucupada. A garota tinha câncer de pulmão, e o estado da doença era muito avançado. Apenas o que restava era esperar.
Poucos dias depois, em uma madrugada, a garota não agüentou, seus olhos avermelhados pediam socorro. O ar parecia não entrar em seus pulmões e ela não conseguia pedir socorro. A morte chegou dolorosa e lentamente.
O que levou a garota a se drogar? E qualquer que tenha sido o motivo, será que valeu a pena essa conseqüência?

( Tema sugerido por Isys Tubino )

quarta-feira, novembro 19

Um show de menina

Eu tinha uma guitarra na mão. Era rosa choque, e um microfone também. Ao meu redor, uma banda com tudo que há direito. Na minha frente um estádio de futebol lotado. Gritando meu nome. Não estava entendendo nada. Absolutamente nada mesmo. Então perguntei pro guitarrista mais próximo:
- O que eu to fazendo aqui? Como eu vim parar aqui.
Na última palavra encarei o sujeito da guitarra e não demorei mais de um segundo pra reconhecer meu ídolo.
- GEE Oo' ?!
Ele sorriu pra mim. Meus olhos brilharam e eu sorri de volta.
Ele me perguntou:
- Não vai começar a tocar? Eles estão te esperando.
Num misto de surpresa e encantamento, eu bati em qualquer corda da guitarra, afinal eu não sei tocar (:
A galera foi ao delírio. Eram gritos e mais gritos. Eu estava encantada. Como num passe de mágica, eu comecei a tocar e cantar junto com a banda, maravilhosamente bem *-*'
Acabou o show, dei um último abraço no Gee. Instantaneamente eu voltei pra realidade, o despertador tocou, eu acordei. Tinha prova. Peguei o celular e vendo a foto do Gee Rocha no plano de fundo, sorri. Foi um dos melhores abraços da minha vida, mesmo sendo apenas um sonho.